domingo, fevereiro 18, 2007

Texto que fiz sobre Seminario de Henrique Magalhães


Tiras e Quadrinhos têm seu espaço em Seminário do Decomtur

Amanda Carvalho de Andrade

marie.dujour@bol.com.br

O bom humor nas tiras brasileiras. Esse foi o tema do seminário que o Professor Doutor Henrique Magalhães ministrou, com a mediação do Professor Doutor Marcos Nicolau, nessa quarta, 8, no Auditório 412 do CCHLA, Campus I da UFPB. O segundo Seminário de Pesquisa de Decomtur aconteceu entre os dias 6 e 10 de novembro trazendo um grande número de seminários feitos por professores do Departamento de Comunicação e Turismo.

Em seu seminário, Henrique Magalhães dissertou sobre como os quadrinhos vêm se manifestando no Brasil, especialmente na Paraíba. Mostrou que não são literatura, nem artes plásticas, e sim uma nova forma de expressão, mais simples, mas não simplória, até chamada de 9ª Arte. Os quadrinhos têm sua nova linguagem, onde existe a predominância de palavras com duplo sentido e sentidos ocultos. Por ter seu espaço físico pequeno e resumido, as tirinhas têm pouco texto e uma linguagem gráfica muito expressiva, fazendo com que a piada seja curta e engraçada.

No Brasil, a predominância das publicações é de quadrinhos infantis, como a Turma da Mônica de Mauricio de Sousa. Para os adultos, as HQs americanas são as que têm maior espaço no mercado, por serem produtos fabricados em larga escala e com distribuição maior dentro do país. Publicações nacionais não conseguem competir com “O Homem-Aranha”, apesar de que a Marvel, grande editora de HQ americana que produz esse e outros títulos de sucesso, tem como artista exclusivo um brasileiro, ou melhor, paraibano, o Mike Deodato.

Já a produção paraibana de tirinhas começou na década de 70, por conta dos jornais ficarem mais gráficos e os custos de impressão mais baratos. Muitas tirinhas de diferentes autores já foram publicadas, inclusive a do próprio Henrique Magalhães com a personagem “Maria”. Nessa época foram criados suplementos que incentivaram novas produções, até mesmo crianças começaram a criar suas tirinhas. Atualmente vemos que os jornais paraibanos não têm mais o interesse de publicar tirinhas, para o professor: “Os jornais não têm conhecimento sobre tirinhas, e existe certo preconceito perante a esse tipo de produção. Desculpando a palavra, mas ignorância mesmo dos jornais.” As publicações agora se limitam a fanzines, livros e álbuns. Grupos como o Made in PB e o artista Shiko são exemplos dos que ainda produzem quadrinhos dentro do estado.

Existem aqueles quadrinhos globalizados, que se encaixam em qualquer realidade por ter seu humor generalizado, neutro e imparcial. Exemplo desses é o Garfield, tirinha publicada em diversos países. “Esse tipo de quadrinhos tem o seu valor como humor, mas é um humor generalizado. E sim, ela tem sua importância dentro do humor”, ressalta Henrique. Ao contrário são as tirinhas nacionais, que usam a o cotidiano e o que está acontecendo no país, principalmente na sua localidade, como inspiração. As tirinhas sempre foram uma forma de mostrar o descontentamento e tirar sarro com a política e outros fatos do momento de forma bem humorada.

Quem é Henrique Magalhães?

Professor de Jornalismo, Henrique Paiva de Magalhães nasceu em João Pessoa, em 1957. Formou-se em jornalismo na UFPB em 1983, sete anos depois defendia a dissertação de Mestrado “Os fanzines de histórias em quadrinhos: o espaço crítico dos quadrinhos brasileiros”, na Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo. Escolher esse tipo de produção marginal como objeto de estudo causou surpresa para a banca examinadora. Publicações como os fanzines passaram a ter maior importância cultural e social. Como era de se esperar, em 1996, Henrique defendeu sua tese de Doutorado na Universidade Paris VII, tendo fanzines como tema: “Fanzines de Bande Dessinée: rénovation culturelle et presse alternative”.

Henrique Magalhães criou a famosa personagem “Maria”, em 1975, onde diariamente eram publicadas suas tirinhas no jornal O Norte. Também teve publicado em fanzines e em semanários portugueses. Com Maria, lançou 10 revistas, um livro e um álbum. Atualmente pode-se ver a personagem na revista Maria Maganize, da editora Marca de Fantasia, onde também se encontra tiras de autores de todo o Brasil.

Criou e dirige a Gibiteca Henfil, que funciona no Decom, voltada para os quadrinhos e títulos independentes. Dirige a editora independente Marca de Fantasia, onde são publicados fanzines, revistas, álbuns e livros, ligados à cultural alternativa e independente. Inclusive, o fanzine Top! Top! faturou o prêmio HQ Mix de melhor revista independente de 2002.

Um comentário:

Junnior disse...

Olá!!!!!!!
Apesar de já fazer um tempo que houve o seminário do Professor Doutor Henrique magalhães (Professor da UFPB) a qual sou aluno, estou aqui para parabenizá-la pela cobertura do mesmo. Também estive no seminário.